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PROPÓSITO

A CONEXÃO RÁPIDA, CRÍTICA, ENTRE A IMAGEM E A PALAVRA.

O MUNDO E CONTROVÉRSIA.

A ARTE E A POESIA SOBRE A MESA.

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CLAUDE LORRAIN


Claude Lorrain, ou Cláudio de Lorena, em português, foi um dos mais conhecidos pintores franceses, admirado pelas paisagens campestres e urbanas que pintava.
De seu verdadeiro nome Claude Gellée, nasceu na cidade de Chamagne, na Lorena, na França no ano de 1600. Ficou órfão aos doze anos e, devido a esse facto, mudou-se para Friburgo, onde, imediatamente, entrou em contacto com grandes artistas.
Durante a sua formação, viajou para a Itália, trabalhando em Roma para o Cavalliere d'Arpino e, seguidamente, como ajudante do pintor Agostino Tassi, o qual o viria inspirar, mais tarde.
No seu regresso a França, consolidou-se como os grandes paisagistas do Barroco francês, tendo sido influenciado pelos maneiristas italianos, alemães e nórdicos. Faleceu em Roma a 23 de Novembro de 1682





A LIBERDADE OU A CENSURA


Eu acho que a censura existiu sempre e provavelmente vai existir sempre. Porque a censura para o ser não necessita de ter claramente uma porta aberta com um letreiro, onde se diga que ali há pessoas que lêem livros ou vão ver espectáculos. Não! A censura existe de todas as maneiras, porque todas as pessoas, nos diferentes níveis de intervenção em que se encontram, por boas ou más razões, seleccionam, escolhem, apagam, fazem sobressair. E isso são actos de ocultação ou de evidenciação que, no fundo, em alguns casos, são actos formais de censura…”
José Saramago, in "Diálogos com José Saramago" 

O RENASCIMENTO E O BARROCO




Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni, nasceu em Caprese a 6 de Março de 1475 e faleceu em Roma a 18 de Fevereiro de 1564, mais conhecido simplesmente como Miguel Ângelo, foi um pintor, escultor, poeta e arquitecto italiano, considerado um dos maiores criadores da história da arte do ocidente. A sua carreira desenvolveu-se na transição do Renascimento para o Maneirismo, e o seu estilo sintetizou influências da arte da Antiguidade clássica, do primeiro Renascimento, dos ideais do Humanismo e do Neoplatonismo, centrado-se na representação da figura humana e em especial no nu masculino, que retratou com enorme pujança.










Michelangelo Merisi da Caravaggio, nasceu em Milão a 29 de Setembro de 1571 e faleceu em Porto Ercole, comuna de Monte Argentário a 18 de Julho de 1610, foi um pintor Italiano actuante em Roma, Nápoles, Malta e Sicília, entre 1593 e 1610. É normalmente identificado como um artista Barroco, estilo do qual ele é o primeiro grande representante. Caravaggio era o nome da aldeia natal da sua família, que ele adoptou como nome artístico.

VIVE-SE QUANDO SE VIVE A SUBSTÂNCIA INTACTA

Vive-se quando se vive a substância intacta
em estar a ser sua ardente harmonia
que se expande em clara atmosfera
leve e sem delírio ou talvez delirando
no vértice da frescura onde a imagem treme
um pouco na visão intensa e fluida
E tudo o que se vê é a ondeação
da transparência até aos confins do planeta
E há um momento em que o pensamento repousa
numa sílaba de ouro É a hora leve
do verão a sua correnteza
azul Há um paladar nas veias
e uma lisura de estar nas espáduas do dia
Que respiração tão alta da brisa fluvial!
Afluem energias de uma violência suave
Minúcias musicais sobre um fundo de brancura
A certeza de estar na fluidez animal 

António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"


RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A VISÃO DE EZEQUIEL

Raffaello Sanzio, 1499 - 1502
Encima óleo sobre madeira.
Museu de Arte de São Paulo - Brasil.
É a única obra do artista conservada no hemisfério sul.


THE VISION OF EZEKIEL

POEMA SEM NOME





Chovem lágrimas de sangue em mares de espuma;
Uivam lobos em espelhos quebrados de esperança;
Acordam manhãs de incertezas reflectidas na alma.
No horizonte cego, prevê-se um nascente sem Sol.
Não há esperança, perdem-se as almas e as manhãs.
Fico só num mar de solidão flutuando, sem rumo…
A chuva entorpece o caminho… O Sol? Quero Sol!
Grito alto às surdas árvores que me cercam: Parem…!
Onde fica o suspiro que me enleia? Estás aí…?
Não tenho medo da escuridão, nem de ti, solidão…
JMBD
Montijo, 22/04/2011

        

WILLEM DE KOONING - Mulheres (1950-1953)



Willem de Kooning, nasceu em Roterdão a 24 de Abril de 1904 e faleceu em Long Island (New York) a 19 de Março de 1997, foi um pintor holandês do expressionismo abstracto.



A MARQUESA DE ALORNA



Às Musas

Co'a frauta agreste os beiços compremindo,
Desde que alva a manhã se despertava,
Ante Febo submissa me prostrava,
O sublime furor ao Deus pedindo.

Iam-se os Céus co'a clara luz abrindo,
Morfeu ao mundo alegre costas dava,
E Délio, sem mostrar que m'escutava
A rápida carreira prosseguindo.

Sobre a tripode em vão triste me sento,
Corro os três tetracordes sobre a lira,
Nenhum iguala a voz do meu tormento.

Musas cruéis, se aquele que delira
Mil vezes em vós acha acolhimento,
Porque não confortais a quem suspira?
                              ALCIPE

FRANZ KAFKA



Franz Kafka, nasceu em Praga a 3 de Julho de 1883 e faleceu em Klosterneuburg, a 3 de Junho de 1924, foi um dos maiores escritores de ficção da língua alemã do século XX.
Kafka nasceu numa família da classe média judia em Praga,  Áustria-Hungria  (actual República Checa). As suas obras escritas, a maioria incompletas, publicadas postumamente destaca-se entre as mais influentes da literatura ocidental.
O seu estilo literário presente em obras como a novela “A Metamorfose”  (1915) e romances incluindo “O Processo”  (1925) e “O Castelo” (1926) retrata indivíduos preocupados com um pesadelo de um mundo impessoal e burocrático.
A casa em que Kafka nasceu, na Praça da Cidade Velha, ao lado da Igreja de São Nicolau em Praga, contém agora uma exposição permanente dedicada ao autor. O termo kafkiano tornou-se parte do vernáculo de diversos idiomas ocidentais, inclusive o português.

Citação:
Talvez haja apenas um pecado capital: a impaciência. Devido à impaciência, fomos expulsos do Paraíso; devido à impaciência, não podemos voltar.

Reflexão:
A verdade é aquilo que todo o homem precisa para viver e que ele não pode obter nem adquirir de ninguém. Todo o homem deve extraí-la sempre nova do seu próprio íntimo, caso contrário ele arruína-se. Viver sem verdade é impossível. A verdade é talvez a própria vida. 

ALBA de Federico García Lorca


Mi corazón oprimido
siente junto a la alborada
el dolor de sus amores
y el sueño de las distancias.
La luz de la aurora lleva
semillero de nostalgias
y la tristeza sin ojos
de la médula del alma.
La gran tumba de la noche
su negro velo levanta
para ocultar con el día
la inmensa cumbre estrellada.

¡Qué haré yo sobre estos campos
cogiendo nidos y ramas,
rodeado de la aurora
y llena de noche el alma!
¡Qué haré si tienes tus ojos
muertos a las luces claras
y no ha de sentir mi carne
el calor de tus miradas!

¿Por qué te perdí por siempre
en aquella tarde clara?
Hoy mi pecho está reseco
como una estrella apagada. 

Lenda da Cova Encantada ou da Casa da Moura Zaida


Na serra de Sintra, perto do Castelo dos Mouros, existe uma rocha com um corte que a tradição diz marcar a entrada para uma cova que tem comunicação com o castelo. É conhecida pela Cova da Moura ou a Cova Encantada e está ligada a uma lenda do tempo em que os Mouros dominavam Sintra e os cristãos nela faziam frequentes incursões. Num dos combates, foi feito prisioneiro um cavaleiro nobre por quem Zaida, a filha do alcaide, se apaixonou. Dia após dia, Zaida visitava o nobre cavaleiro até que chegou a hora da sua libertação, através do pagamento de um resgate. O cavaleiro apaixonado pediu a Zaida para fugir com ele mas Zaida recusou, pedindo-lhe para nunca mais a esquecer.

O nobre cavaleiro voltou para a sua família mas uma grande tristeza ensombrava os seus dias. Tentou esquecer Zaida nos campos de batalha, mas após muitas noites de insónia decidiu atacar de novo o castelo de Sintra. Foi durante esse combate que os dois enamorados se abraçaram, mas a sorte ou o azar quis que o nobre cavaleiro tombasse ferido. Zaida arrastou o seu amado, através de uma passagem secreta, até uma sala escondida nas grutas e, enquanto enchia uma bilha de água numa nascente próxima para levar ao seu amado, foi atingida por uma seta e caiu ferida. O cavaleiro cristão juntou-se ao corpo da sua amada e os dois sangues misturaram-se, sendo ambos encontrados mais tarde já sem vida. Desde então, em certas noites de luar, aparece junto à cova uma formosa donzela vestida de branco com uma bilha que enche de água para depois desaparecer na noite após um doloroso gemido...

REFLEXÃO DO PROFESSOR AGOSTINHO DA SILVA


ENCARAR A MORTE.
É talvez sinal de prisão ao mundo dos fenómenos o terror e a dor ante a chegada da morte ou a serena mas entristecida resignação com que a fizeram os gregos uma doce irmã do sono; para o espírito liberto ela deve ser, como o som e a cor, falsa, exterior e passageira; não morre, para si próprio nem para nós, o que viveu para a ideia e pela ideia, não é mais existente, para o que se soube desprender da ilusão, o que lhe fere os ouvidos e os olhos do que o puro entender que apenas se lhe apresenta em pensamento; e tanto mais alto subiremos quando menos considerarmos a morte como um enigma ou um fantasma, quanto mais a olharmos como uma forma entre as formas. 
Agostinho da Silva, in 'Diário de Alcestes