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PROPÓSITO

A CONEXÃO RÁPIDA, CRÍTICA, ENTRE A IMAGEM E A PALAVRA.

O MUNDO E CONTROVÉRSIA.

A ARTE E A POESIA SOBRE A MESA.

A LIGAÇÃO A OUTROS BLOGUES.

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JOÃO DE DEUS (biografia)


A um Retrato
Amo-te, flor! Se te amo, Deus que o sabe 
Que o diga a teus irmãos, que o Céu povoam 
E ébrios de glória cânticos entoam 
A quem no mar, na Terra e Céus não cabe. 

Se te amo, flor! que o diga o mar que expele 
Quanto é domínio, e beija humilde a praia... 
Se mal que a Lua lá das ondas saia 
Nas rochas me não vê gemer com ele! 

Amo-te, flor! Se te amo, o Sol que o diga: 
Quando lá da montanha aos Céus se eleva, 
Se entre os vermes do pó, que o vento leva, 
Me banha a mim também na luz amiga. 

Se te amo, flor? Sem ti... que noite escura, 
Meu céu, meu campo em flor, meu dia e tudo! 
Diga-te a noite minha se te iludo, 
Se em vida já sem ti sonhei ventura! 

O anjo que no berço humilde e escasso 
Do Céu me veio alumiar piedoso 
E em lágrimas e riso, pranto e gozo, 
Desde então me acompanha passo a passo; 

És tu! Amo-te e muito! O que flutua 
Na fornalha que o sopro eterno acende, 
Não beija a mão do anjo que o suspende 
Com mais amor que eu beijo a sombra tua! 


João de Deus, in 'Campo de Flores'

NATÁLIA CORREIA

AUTO-RETRATO
 
Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
 
                      Natália Correia
Hoje  quero com a violência da dádiva interdita.
Sem lírios e sem lagos
e sem o gesto vago
desprendido da mão que um sonho agita.
Existe a seiva.
Existe o instinto.
E existo eu
suspensa de mundos cintilantes pelas veias
metade fêmea metade mar como as sereias.
Natália Correia


O MUNDO SEM HUMANOS APÓS 150 ANOS

A CRIAÇÃO PRIMOROSA DE DEUS

Teoria do Amor
Amor é mais do que dizer. 
Por amor no teu corpo fui além 
e vi florir a rosa em todo o ser 
fui anjo e bicho e todos e ninguém. 

Como Bernard de Ventadour amei 
uma princesa ausente em Tripoli 
amada minha onde fui escravo e rei 
e vi que o longe estava todo em ti. 

Beatriz e Laura e todas e só tu 
rainha e puta no teu corpo nu 
o mar de Itália a Líbia o belvedere. 

E quanto mais te perco mais te encontro 
morrendo e renascendo e sempre pronto 
para em ti me encontrar e me perder. 


Manuel Alegre, in “Obra Poética” 



Góticos : AMOR / ÓDIO


Saboreias o pesadelo da tua dor
Baixas o teu olhar submisso
Eu observo, incapaz de sorrir
É a mágoa torturante que nos acaricia
O meu olhar frio desespera
Os teus lábios tristes chamam-me
Sinto-te implorar por salvação

Mas eu não estou presente
Maravilho-me com as tuas lágrimas
Apenas triste por não te salvar
Sinto a tua agonia desesperada
É a mesma agonia que me aprisiona
Tento ignorar esta tentação cruel
Por isso não te salvo dessa aflição

Fico apático perante a tua mágoa
Deixo-te afogar nas tuas lágrimas
Deixo-me levar por este castigo
Puno-me a mim mesmo por esta dor
Mas deixo-te provar as lágrimas
Este martírio une-nos os dois
Num sofrimento flagelante de prazer

Solta os teus medos aterrorizantes
Agora a solidão e indiferença reinam
A tua dor transforma-se em lágrimas
Tu desesperas sem salvação
Eu nada faço para me redimir
Deixo as tuas lágrimas de angústia correr
Apenas sofro com o teu desgosto

AUTOR: Transcendente








POESIAS DE Adolfo Casais Monteiro (biografia)

Sonhei-me longe de tudo o que possuo
-longe de mim, longe de quem?-
afastado, sem contas a prestar...
Foi longo o meu engano. Agora vejo
que nunca de mim eu me afastei...

Vem Vento, Varre
Vem vento, varre
sonhos e mortos.
Vem vento, varre
medos e culpas.
Quer seja dia,
quer faça treva,
varre sem pena,
leva adiante
paz e sossego,
leva contigo
nocturnas preces,
presságios fúnebres,
pávidos rostos
só covardia.
Que fique apenas
erecto e duro
o tronco estreme
de raiz funda.
Leva a doçura,
se for preciso:
ao canto fundo
basta o que basta.
Vem vento, varre!