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IMP•C•IVLIVS•CÆSAR•DIVVS - DICTATOR PERPETUUM


Júlio César percorreu uma parte considerável do caminho na direcção da monarquia, ostentando os cargos republicanos de cônsul por quatro vezes e ditador por cinco vezes; conseguindo ser nomeado "ditador vitalício" (dictator perpetuum) em fins de 45 a.C.; era um cargo político da República Romana, criado em 501 a.C., preenchido apenas em condições excepcionais, sendo portanto uma magistratura extraordinária, isto é, fora do cursus honorum. Ditador Perpétuo também chamado de dictator in perpetuum, era o cargo ocupado por Júlio César, de 26 de Janeiro ou 15 de Fevereiro do ano 44 aC., até à sua morte em 15 de Março. Ao abandonar as restrições de tempo normalmente aplicados no caso da romanorum dictatura, o tempo elevou a ditadura de Júlio César para a esfera monárquica dado que nomeou para seu sucessor Octaviano filho de Atia Iuliae sua sobrinha por parte da irmã Júlia Cæsonia. Ao contrário da percepção popular, Júlio César não era um ditador por cinco anos; ele ocupou o cargo durante onze dias em 49 aC em consequêcia da realização de eleições, quer como commissione dictator ou ditador rei gerundae causa, “dever de gerir a vitória” e novamente para o ano 48/47aC. Em 46 aC, ele foi eleito ditador para os próximos dez anos. Em algum do tempo referido, entre Janeiro e Fevereiro de 44 aC., foi nomeado ditador perpétuo, mas foi assassinado dentro de dois meses depois disso, nos idos de Março.
Perpétuo ditador é muitas vezes uma expressão mal interpretada como "ditador vitalício", que ignora o facto de que o título não implicava que Júlio César nunca mais renunciaria ao cargo, porquanto a ditadura "perpétua" era parte do Senado que decretava honras, honorabilidade por direito de Júlio César, assim como a sua apoteose planeada como Divus Iulius, um complexo de homenagens destinadas à eternidade e divindade. Júlio César foi assassinado em parte porque queria retirar aos senadores romanos os excessivos privilégios, o status que detinham na curia perante os demais, para assim poder distribuir pelo povo melhores regalias. Insurgiu-se contra os interesses do poder subversivo instituído e foi vitíma de "amigos" que sob violência, sempre aludindo a acto revolucionário, acabaram por pagar com a vida a vil trama.


O segundo triunvirato durou dez anos, foi estabelecido em 43 a.C., na República Romana, entre Marco António, Octávio e Lépido (Marcus Æmilius Lepiduse prolongou-se até 33 a.C.. Ao contrário do primeiro triunvirato, um acordo informal entre Júlio César, Pompeu o Grande e Marco Licínio Crasso, este segundo triunvirato foi uma aliança política formal com o nome oficial de Triunviros para a Organização do Povo (em Latim: Triumviri Rei Publicae Constituendae Consulari Potestate), legislado pela Lex Titia e aprovado pela Assembleia do Povo, conferindo poderes universais aos três homens por um período de cinco anos. A constituição do segundo triunvirato e atribuição de poderes excepcionais a Marco António, Octaviano e Lépido justificou-se no período da crise, sem precedentes, que se seguiu ao assassinato de Júlio César. Tinha Octaviano então cerca de 20 anos, filho adoptivo e herdeiro do ditador. Marco António e Lépido eram dois dos comandantes de maior confiança de Júlio César. Todos estes triúnviros  ambicionavam poder e vingança. A primeira acção dos triúnviros foi a de eliminar todos os homens que conspiraram passiva ou activamente contra César – Cícero o filósofo foi uma das vítimas – e perseguir Bruto (Marcus Junius Brutus) e Cássio que entretanto se haviam refugiado na Grécia. Em Roma a 29 de Novembro de 43 aC., cerca de 300 senadores e 2000 cavaleiros foram capturados e mortos por toda a península itálica. Lépido (pontifex maximus) que era uma figura de consenso e sem grande ambição política, casado com Júnia Secunda filha de Décimo Júnio Silano e Servília Cepião mãe de Brutus. Octavianus e Marco António odiavam-se e conspiravam um contra o outro desde a formação do triunvirato. Em 38 a.C. o acordo foi renovado por mais cinco anos, mas as relações entre os três estavam longe de serem amigáveis. Lépido foi afastado do poder e exilado de Roma na sequência de uma manobra política falhada, enquanto Marco António, estacionado com o exército no Egipto atacava Octaviano com a ajuda de Cleópatra. Finalmente em 33 a.C., o triunvirato chegou ao fim e Marco António e Octaviano entraram em guerra aberta que haveria de terminar na Batalha de Áccio (31 a.C.) e no suicídio simultâneo de Marco António e Cleópatra. Com os seus pares afastados do poder, Octavianus ficou finalmente sozinho e livre para governar Roma. Em 27 a.C. foi-lhe atribuido o título de Augusto e iniciou o Império Romano com a dinastia Júlio-Claudiana que terminou com Nero (Nero Claudius Cæsar Augustus Germanicus; nasc. Anzio, 15 de Dezembro de 37 d.C. com o nome de Lúcio Domício Enobardo - Fal. Roma, 9 de Junho de 68), o último dos Césares.

Mapa da República Romana durante o Segundo Triunvirato (32 a.C.): A área em verde escuro era o sector sob poder de Octávio; a área em azul escuro estava sob o poder de Marco António e a área em azul claro sob poder de aliados ou vassalos de Marco António.

A MORTE DE SÉNECA:
Quando nos referimos a Nero, imperador Romano não podemos esquecer, inevitavelmente, Lucius Annaeus Seneca conhecido como Séneca, o jovem, homem político, filósofo e escritor romano, nasceu em Córdova - Hispânia, aproximadamente em 4 a.C. e faleceu em 65 d.C.. Fez os seus estudos em Roma sob a direcção de um mestre pitagórico e de um outro estóico. Exerceu durante algum tempo a profissão de advogado mas tornou-se rapidamente homem de letras e cortesão. Já era célebre quando cai em desgraça junto da imperatriz Messalina, primeira esposa de Cláudio. Esteve exilado durante 8 anos, na Córsega, tendo sido chamado à corte de Cláudio em 49 pela segunda esposa deste, Agripina, que lhe confiou a educação do seu filho Nero. No entanto, anos mais tarde, Séneca volta a cair em desgraça e, implicado na conjuração de Pison, (plano contra a vida do devasso imperador)  morreu cortando as suas próprias veias por ordem de Nero.
Analisemos alguns pontos importantes das doutrinas de Séneca sobre a Lógica e Ética.
A lógica assenta no princípio fundamental da teoria do conhecimento das doutrinas estóicas, ou seja: singularidade do objecto, materialidade (ou corporeidade) de tudo o que existe.
São incorpóreos apenas o tempo, o espaço e o vazio, consideramos como lugares do real e o significativo, ou a palavra com que o objecto é significado. A virtude, a Sabedoria e o Bem, bem como os seus contrários, são corporais.
Todas estas ideias gerais são dotadas de propriedades físicas, de forma que a lógica tende, no estoicismo romano, a transformar-se em física. A própria psicologia humana torna-se em um caso particular da física.
Conforme as doutrinas estóicas, a nossa Alma é também corpórea pois, se assim não fosse, como poderia ela actuar sobre o nosso corpo?
Séneca diz que ela consiste num sopro subtil e vivo – o spiritus que não é outra coisa que a alma do Universo, ou substância contínua, não molecular, animada por uma força expansiva indefinida que mantém a coesão das coisas complexas, entre as quais as do nosso corpo e de tudo o que forma o Universo.
Sobre a imortalidade da Alma, analisemos o seguinte texto que faz parte da Consolação, a Márcia:
«Isto não é senão a imagem de teu filho que morreu, um reflexo bem pouco semelhante! Ele, é eterno, livre deste fardo que lhe era acrescentado e entregue enfim a ele próprio. Tudo do que tu vês rodeado, esses ossos, estes músculos, este invólucro da pele, nosso rosto, as mãos que nos servem, tudo o que se encerra em nós, são os laços de prisão e as trevas da Alma. Esta é nisto esmagada, oculta, maculada. Isto é o que a separa da Verdade, sua pátria, e a lança no seio da mentira. Sem cessar, ela luta contra esta concupiscência pesada, para não ser arrastada e presa por ela à terra. Ela se esforça em voltar ao Lugar donde ela desceu e onde a espera um repouso eterno, desde que após, o desconcerto dum modo rude, ela descobre imediatamente um Universo luminoso e puro. Por isso, não tens necessidade de correr ao túmulo do teu filho; lá jaz somente o que ela tinha de pior nele, e o que lhe era a ele próprio odioso, esses ossos, essas cinzas que não fariam mais parte do seu ser, a não ser os vestuários com os quais ele cobria o corpo. Intacto, sem nada deixar dela sobre esta Terra, ele fugiu e escapou-se completamente».
ÉTICA: Séneca teve uma concepção pessimista da vida, pois verificou, principalmente no tempo de CLÁUDIO, a versatilidade da fortuna. Uns que ainda no dia anterior se sentavam ao lado do Imperador, no dia seguinte eram condenados à morte.
No seu livro Consolação, a Márcia, diz Séneca:
«Nada há tão enganoso, como a vida humana; nada tão pérfido… A felicidade maior é não nascer.»
DITOS DE SÉNECA:
“A virtude é difícil de se manifestar, precisa de alguém para orientá-la e dirigi-la. Mas os vícios são aprendidos sem mestre”
“A deformidade do corpo não afeia uma bela alma, mas a formosura da alma reflecte-se no corpo.”

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