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CLEÓPATRA


Cleópatra VII Thea Filopator; nasceu em Alexandria, em Janeiro do ano 70 a.C. ou Dezembro do ano 69 e faleceu por suicídio a 12 de Agosto? do ano 30 a.C.; foi a penúltima rainha, faraó, da dinastia Ptolemaica fundada por Ptolomeu I Sóter, general que governou o Egipto após a conquista daquele país por Alexandre o grande da Macedónia, uma família macedónica que reinou no Egipto a partir do ano 323 a.C.
Cleópatra era filha de Ptolemeu XII Neos Dionisos (Ptolemeu Auletes), filho de Ptolemeu IX Sóter II. Ptolemeu XII Neos Dionisos teve, possivelmente, seis filhos: Berenice IV e Cleópatra Trifena, que tomaram o controlo do Egipto durante a ausência do pai, dois filhos de nome Ptolemeu (Ptolemeu XIII e Ptolemeu XIV), Cleópatra VII e uma outra filha de nome Arsínoe.

O nome Cleópatra significa "glória do pai", Thea significa "deusa" e Filopator "amada por seu pai". Alguns historiadores usam uma numeração diferente para as princesas e rainhas egípcias de nome Cleópatra, por exemplo, Edwyn Robert Bevan (1870-1943) enumera-a como Cleópatra VI.
Cleópatra VII, uma das mulheres mais conhecidas e enigmáticas da história da humanidade e uma das governantes mais famosas do Egipto, tendo ficado conhecida somente como Cleópatra, ainda que tenham existido várias outras Cleópatras, além dela, mas que a história quase nunca cita. Nunca foi a única detentora do poder, co-governou sempre com um homem a seu lado: o seu pai, o seu irmão, com quem casaria mais tarde e, depois, com o seu filho Cesarion "pequeno César", o polémico filho de Júlio Cesar e o último faraó da Dinastia ptolemaica do Egipto, supostamente mandado matar por Octávio em Agosto de 30 a.C., com 16 anos, depois de batalha naval de Áccio ocorrida em 2 de Setembro de 31 a.C.  perto de Actium na Grécia, durante a guerra civil romana entre Marco António e Octaviano, o primeiro imperador romano e herdeiro de Júlio César.

Cesarion passou os seus dois primeiros anos, 46 a.C - 44 a.C., em Roma, onde ele e a sua mãe eram convidados oficiais do governo romano, ou seja, de Júlio César. Mas quando o ditador foi assassinado, em 15 de Março de 44 a.C., ambos tiveram que retornar, apressadamente, ao Egipto. Cleópatra, em todos os casos, os seus companheiros eram apenas reis titulares, mantendo ela sempre a autoridade de facto. Cleópatra foi uma grande negociante, estratega militar, falava e escrevia em seis idiomas, conhecia filosofia, literatura, artes gregas e era assídua frequentadora da biblioteca de Alexandria.
Em 42 a.C., Marco António, um dos triúnviros que governava Roma, após o vazio governativo causado pela morte de César, convocou-a para um encontro em Tarso para ela lhe responder sobre a ajuda que prestara a Cássio, um dos assassinos de César e, portanto, inimigo dos triúnviros. Cleópatra chegou triunfal, com grande pompa e circunstância, o que encantou e apaixonou Marco António. Passaram juntos o inverno de 42 a 41 a.C. em Alexandria. Ficou grávida pela segunda vez, desta vez com gémeos que tomariam os nomes de Cleópatra Selene e Alexandre Hélio. Quatro anos depois, em 37 a.C., Marco António visitou de novo Alexandria, quando se encontrava numa expedição contra os partos. Recomeçou então a sua relação com Cleópatra, passando a viver em Alexandria. É possível que se tenha casado com Cleópatra segundo o rito egípcio (uma carta, citada por Suetónio leva a crer nessa hipótese), ainda que nessa altura estivesse casado com Octávia Júlio Turino, a Jovem, irmã do triúnviro Octávio o futuro imperador Augusto. Então, Cleópatra deu à luz outro filho, Ptolomeu Filadelfo.
Depois da batalha naval de Accio, onde Marco António e Cleópatra foram completamente derrotados, Octávio entrou triunfante em Alexandria, desejava conhecer e contemplar aquela beleza que tanto deslumbrou os melhores generais romanos. Cleópatra tentou seduzir o conquistador Octávio, mas não conseguiu. Octávio tinha um carácter frio e distante.
Cleópatra ficou apreensiva quando soube que Octávio queria levá-la como espólio de guerra para Roma. Reuniu todos os seus tesouros
entregou-os a Cesarion para fugir para o porto de Berenice, no Mar Vermelho, provavelmente pretendendo fazê-lo chegar à Índia, pela Etiópia, onde encontraria refúgio e fechou-se no palácio. Correram rumores de que a rainha se suicidara. Marco António, enlouquecido, atravessou o peito com uma espada. Quando já agonizava, chegou o secretário de Cleópatra a dizer que ela estava viva. Ele ainda teve forças para chegar ao pé da sua amada, mas morreu nos braços dela. Cleópatra suicidou-se pouco depois, dizem com o veneno de uma áspide: (como o final de Romeu e Julieta de Shakespeare).
O imperador Octávio respeitou o último desejo da rainha e depositou o corpo dela ao lado do de Marco António, cujos túmulos foram recentemente encontrados no templo Taposiris Magna, a 50km a oeste de Alexandria.
Os outros três filhos de Cleópatra e Marco António foram levados para Roma, e Octávia, que fora mulher deste, de bom grado os recebeu e educou. Eram filhos daquele que fora a sua grande paixão.

SEPTÍMIA ZENÓBIA


Zenóbia (Tibur - hoje Tivoli -, 274) foi uma rainha de Palmira - hoje, chamada de Tadmor - era uma antiga cidade na Síria central, localizada num oásis a cerca de 210 km a nordeste de Damasco. Palmira tornou-se parte da província romana da Síria durante o reinado de Tibério (14 d.C. - 37 d.C.). A cidade continuou a desenvolver-se e a ganhar importância até que se tornou uma cidade livre, sob o império de Adriano, em 129.
Zenóbia depois da morte do marido, Odenato, reinou em nome do filho Vabalato e fez de Palmira uma brilhante capital do Médio Oriente. Foi vencida e reduzida ao cativeiro pelo imperador romano Aureliano (273).
O marido de Zenóbia era o nobre palmiriano Odenato, que em 258 tinha sido promovido ao posto de cônsul de Roma, por causa da sua campanha bem-sucedida contra a Pérsia a favor do Império Romano. Dois anos depois, Odenato recebeu do imperador romano Galieno o título de corrector totius Orientis (governador de todo o Oriente). Isto foi em reconhecimento da sua vitória sobre o Rei Sapor, da Pérsia. Por fim, Odenato autodenominou-se "rei dos reis". Esses êxitos de Odenato podem em grande parte ser atribuídos à coragem e cautela de Zenóbia.
No século III, a sua rainha, Septímia Zenóbia criou alguns embaraços ao império romano ao autoproclamar-se rainha do reino de Palmira mas, em 272, o imperador romano Aureliano capturou-a e levou-a para Roma. Depois de a expor, numa parada triunfal, acorrentada a cadeias de ouro, deixou-a retirar-se para uma vila em Tibur (hoje, Tivoli, Itália) onde continuou a ter um papel activo, politicamente, durante anos.
Zenóbia era de descendência árabe semita, afirmou a rainha Cleópatra VII (a) do Egipto, sua ancestral; outra sua antepassada era Drusilla da Mauritânia, neta de Cleópatra Selene, filha de Cleópatra VII e Marco António. Drusilla também reivindicou o parentesco de uma irmã de Hannibal e de um irmão da rainha de Cartago, Dido. O avô de Drusilla era o rei Juba II da Mauritânia. A ancestralidade paterna de Zenóbia pode ser traçada em seis gerações, e inclui Gaius Julius Bassianus, pai de Julia Domna. 
"Ela tinha pele morena . . . Os seus dentes eram brancos como pérolas, e os seus grandes olhos negros brilhavam como fogo, suavizados pelo mais atraente encanto. A sua voz era forte e harmoniosa. O entendimento brioso de Zenóbia era fortalecido e adornado pelo estudo. Não desconhecia o latim, mas era igualmente perfeita nas línguas grega, siríaca e egípcia." Foi assim que o historiador Edward Gibbon em 1737 louvou Zenóbia, a rainha guerreira da cidade síria de Palmira.

a) Não confundir com Cleópatra VII Thea Filopator, também denominada Cleópatra VI.

ORIANA FALLACI UMA MULHER A NÃO ESQUECER.


Oriana Fallaci nasceu em Florença a 29 de Junho de 1929. O seu pai, Edoardo, foi um activo antifascista partigiano e já aos 10 anos, Oriana estava envolvida com a Resistência Italiana, participando no movimento clandestino "Giustizia e Libertà". Durante a ocupação de Florença pelos nazis, o pai foi capturado e torturado na "Villa Triste", onde funcionava uma secção da Gestapo (polícia política alemã), também utilizada como cárcere e lugar de torturas, até à libertação de Florença, em Setembro de 1944. Pela sua participação na Resistência, Oriana foi condecorada, aos 14 anos, pelo Exército Italiano resistente.
Oriana iniciou a sua carreira de jornalista aos 16 anos, trabalhando como colaboradora de jornais locais e posteriormente como enviada especial da revista semanal L'Europeo, fundada em 1945. 

Em 1967 trabalhou como correspondente de guerra para L'Europeo no Vietname. Retornou ao país por 12 vezes em 7 anos, para narrar a guerra, sem fazer concessões partidárias, nem aos comunistas, nem tampouco aos americanos ou sul-vietnamitas. As suas experiências de guerra estão reunidas no livro "Niente e così sia" publicado em 1969.
Ao longo de sua carreira realizou importantes entrevistas com algumas das mais importantes personalidades do século XX, dentre as quais se destacam: Henry Kissinger, o Ayatollah Khomeini, Lech Wałęsa, Willy Brandt, Zulfikar Ali Bhutto,Walter Cronkite, Muammar al-Gaddafi, Federico Fellini, Sammy Davis, Jr., Deng Xiaoping, Nguyen Cao Ky, Yasser Arafat, Indira Gandhi, Alexandros Panagoulis, Wernher von Braun, o Arcebispo Makarios, Golda Meir, Nguyen Van Thieu, Haile Selassie e Sean Connery.

Sofrendo de uma doença incurável, que chamou de "Alien" e atribuída às exalações de gases tóxicos provenientes dos poços petrolíferos explodidos por Saddam Hussein, que tinha respirado no Kuwait, Oriana Fallaci faleceu a 15 de Setembro de 2006, em Florença, numa casa de repouso de "Santa Chiara" com a idade setenta e sete anos.
http://www.italialibri.net/autori/fallacio.html

A LIBERDADE DE PENSAR E O DIREITO DE SER MULHER


Hipácia de Alexandria foi uma matemática e filósofa neoplatónica, nascida aproximadamente em 355 e assassinada em 415. Hipácia era uma filósofa de origem pagã num meio conflituoso predominantemente cristão. Os neoplatónicos não acreditavam no mal, negavam que este pudesse ter uma real existência no mundo, uma visão optimista em crer que tudo era bom, em última instância. Era dizer apenas que algumas coisas eram menos perfeitas que outras. O que outros chamavam de mal, os neoplatónicos chamavam de imperfeição, de "ausência de bem"; acreditavam que a perfeição humana e a felicidade poderiam ser obtidas neste mundo e que ninguém precisaria esperar uma outra vida redentora como na doutrina cristã. Perfeição e felicidade (uma só e a mesma coisa) poderiam ser adquiridas pela devoção à contemplação filosófica. Situando Hipácia na história decorria o tempo em que era imperador de Roma Flávio Honório (395/423), uma peça chave do fim do império romano do ocidente.
Hipácia era filha de Téon (335?405), um renomeado filósofo, astrónomo, matemático, autor de diversas obras, professor e último director da biblioteca de Alexandria, contemporâneos da biblioteca e do célebre farol da Ilha de Pharos cuja funcionalidade é ainda uma incógnita para muitos investigadores cujas informações da sua arquitectura e funcionamento terão desaparecido nos vários atentados a tudo o que representava conhecimento tido como origem pagã, no tempo das convulsões cristãs e judaicas. Cerca de 560 anos antes da morte de Hipácia a estátua do Colosso da Ilha de Rodes tinha desaparecido no golfo de Rodes no mar Egeu em consequência de um violento terramoto, a mesma zona sísmica que mais tarde, em 1302 poria fim à imponência do farol de Alexandria submerso no mediterrâneo até ser descoberto em 1994.
Hipácia estudou na Academia de Alexandria, onde devorava conhecimento: matemática, astronomia, filosofia, religião, poesia, artes, oratória, retórica, álgebra. Era na Ágora, espaço público da pólis, destinado à discussão política e à apresentação das artes onde ela assistia e discutia as suas ideias sobre astronomia heliocêntrica. Hipácia foi atacada em plena rua por uma turba fraccionária de cristãos enfurecidos, foi arrastada pelas ruas da cidade até uma igreja, acusada de bruxaria onde foi cruelmente torturada até à morte. Depois de morta, o corpo foi lançado a uma fogueira, tudo isto aconteceu pouco tempo depois de Orestes, prefeito da cidade, ter ordenado a execução de um monge cristão chamado Amónio, acto que enfureceu o bispo Cirilo e seus correligionários. Devido à influência política que Hipácia exercia sobre o prefeito, é bastante provável que os fiéis de Cirilo a tivessem escolhido como uma espécie de alvo de retaliação para vingar a morte do monge, neste período em que a população de Alexandria (pagãos, judeus e cristãos) era conhecida pelo seu carácter extremamente violento.
 Representação de Hypatia pintura de Charles William Mitchell - 1885

AS ORIGENS LATINAS


A Antiguidade Clássica é o termo utilizado para caracterizar um longo período da história cultural centrado no Mar Mediterrânio, compreendendo a interligação da Grécia Antiga e a Roma Antiga, cuja cultura foi absorvida pelos povos bárbaros que invadiram Roma e a transferiram para os países que na actualidade são a Europa latina que inclui principalmente a Itália, a França, Portugal (a), a Roménia e a Espanha, como também pequenos Estados como S. Marino, o Vaticano, Andorra, a Moldávia e Mónaco. Pode-se também incluir as regiões francófonas da Bélgica (Valónia), Luxemburgo e Suíça, como também o Tessino (italófono) na Suíça situado no sul do país, e incluindo as cidades de Lugano e Locarno e regiões em que usam a língua Romanche (b) também na Suíça. A maior parte destes países é membro da União Latina.
A Antiguidade Clássica é convencionada, o seu início, com o primeiro registo da poesia grega de Homero (século 8-7 aC.), continuando através do aparecimento do Cristianismo e o declínio do Império Romano do Ocidente (século V da nossa era). Teve o seu término com a dissolução da cultura clássica e o fim da Antiguidade Tardia (dC. 300-600), iniciando as Idades Médias (dC. 500-1000), respectivamente, Alta Idade Média e Baixa Idade Média.
Aquele período da história cobriu várias culturas e períodos." A Antiguidade Clássica" tipicamente refere-se à visão idealizada, como disse Edgar Allan Poe, "A Glória que foi a Grécia, a Grandeza que foi Roma!"
A civilização dos antigos gregos tem influenciado a língua, política, sistemas educacionais, filosofia, ciência, arte e arquitectura do mundo moderno, abasteceu a Renascença na Europa Ocidental e ressurgiu durante vários movimentos neoclássicos nos séculos XVIII e XIX.
A arte e cultura clássicas, muitas vezes denominadas como Antiguidade Clássica, constituem o estilo artístico e cultura predominantes na Grécia Antiga entre os séculos VI e IV a.C. e a sua herança continuada pelos diversos períodos político-culturais da Roma Antiga. Na Antiga Grécia, o estilo clássico veio substituir o arcaico, que era baseado na tradição religiosa pré-democrática e que tinha por característica imagens geometrizadas e pouco naturalistas. Com o advento de uma sociedade mais laica e ligada ao pensamento filosófico, os artistas tiveram que buscar uma solução que ligasse o divino - a arte ainda era encomendada para representar deuses e motivos religiosos - ao humano, novo campo de interesse ligado à política democrática da pólis e de pensadores como os sofistas e os filósofos, preocupados em compreender a relação entre o homem e o universo. Nesse contexto, construíram uma estética naturalista mas idealizada, baseada em cânones que eram a média das características físicas das pessoas mais belas.

Na Antiguidade greco-romana não se vislumbrava qualquer diferenciação entre arte e técnica, o mesmo é dizer, entre artista e artesão. A teknê grega, bem como a ars latina referiam-se não só a uma habilidade, a um saber fazer, a uma espécie de conhecimento técnico, mas também ao trabalho, à profissão, ao desempenho de uma tarefa. O técnico era aquele que executava um trabalho, fazendo-o com uma espécie de perfeição ou estilo, em virtude de possuir o conhecimento e a compreensão dos princípios envolvidos no desempenho. Sempre associada ao trabalho dos artesãos, a arte era susceptível de ser aprendida e aperfeiçoada, até se tornar uma competência especial na produção de um objecto. Por não resultarem apenas de uma competência ou mestria obtidas por aprendizagem, mas sobretudo do bafejo de um talento pessoal, a composição musical e a poesia não faziam parte da arte, eram emocionais.
Predominaram na época os nus masculinos e a representação de atletas, como Hermes e Dionísio de Praxíteles ou o Discóbolo. Fídias foi um grande expoente da arte do período, supervisionando o entalhe das esculturas que adornavam o frontão do Pártenon, em Atenas. Chegaram à posteridade principalmente exemplares de escultura, mas Plínio, o Velho, cita diversos exemplos de pinturas desse período. O mármore e o bronze eram os materiais preferidos, e foi nessa época que foi criada a técnica de moldagem em bronze chamada cera perdida.

Os conceitos de arte e cultura clássicos incluem a literatura clássica ou greco-romana: as diversas formas da literatura grega e a literatura latina (como a poesia, o teatro, a historiografia - historiografia clássica e a filosofia - filosofia grega); e no âmbito da arte não apenas as denominadas belas artes, mas também todas as artes menores  (estendendo-se por vezes a toda a cultura material). Também formam parte da civilização clássica ou civilização greco-romana as demais manifestações da sua cultura, crenças (mitologia clássica - mitologia grega, mitologia romana) e a vivência cultural da vida quotidiana  (costumes da Antiga Grécia, costumes da Antiga Roma), a economia, sociedade e organização política, militar e religiosa.
(a) – Portugal que vai perder essa etimologia linguística com o novo acordo ortográfico estabelecido com os países de origem lusófona, com maior incidência brasileira.
 
(b) A língua romanche, também chamada de reto-romanche ou rético, é uma das quatro línguas nacionais da Suíça, conjuntamente com a língua alemã, a língua italiana e a língua francesa. Trata-se de uma língua neolatina do ramo ocidental, que se acredita descender do latim vulgar falado pelos romanos que ocuparam a área na Antiguidade.

O pensamento de Émile Durkheim e a anomia no século XXI


Durkheim (1851/1917) formou-se em Filosofia, porém toda a sua obra e vida é dedicada à Sociologia. O seu principal trabalho é na reflexão e no reconhecimento da existência de uma "Consciência Colectiva". Ele parte do princípio que o homem seria apenas um animal selvagem que só se tornou humano porque se tornou sociável, ou seja, foi capaz de aprender hábitos e costumes característicos de seu grupo social para poder conviver no meio deste.
A este processo de aprendizagem, Durkheim chamou de "socialização", a consciência colectiva seria então formada durante a nossa socialização e seria composta por tudo aquilo que habita nas nossas mentes e que serve para nos orientar como devemos ser, sentir e comportar. A esse "tudo" ele chamou de "factos sociais", e disse que esses eram os verdadeiros objectos de estudo da sociologia.
Nem tudo o que uma pessoa faz é um facto social, para o ser tem que atender a três características: generalidade, exterioridade e coercitividade. Isto é, o que as pessoas sentem, pensam ou fazem independentemente das suas vontades individuais, é um comportamento estabelecido pela sociedade. Não é algo que seja imposto especificamente a alguém, é algo que já estava lá antes e que continua depois e que não dá margem a escolhas.
O mérito de Durkheim aumenta ainda mais quando publica o seu livro "As regras do método sociológico", onde define uma metodologia de estudo, que embora sendo em boa parte extraída das ciências naturais, dá seriedade à nova ciência. Era necessário revelar as leis que regem o comportamento social, ou seja, o que comanda os factos sociais.
Nos seus estudos, os quais serviram de pontos expiatórios para o início de debates, o que perdurou praticamente até o fim de sua carreira, ele concluiu que os factos sociais atingem toda a sociedade, o que só é possível se admitirmos que a sociedade é um todo integrado. Se tudo na sociedade está interligado, qualquer alteração afecta toda a sociedade, o que quer dizer que se algo não vai bem em algum sector da sociedade, toda ela sentirá o efeito. Partindo deste raciocínio ele desenvolve dois dos seus principais conceitos: Instituição social e Anomia.
A instituição social é um mecanismo de protecção da sociedade, é o conjunto de regras e procedimentos padronizados socialmente, reconhecidos, aceites e sancionados pela sociedade, cuja importância estratégica é manter a organização do grupo e satisfazer as necessidades dos indivíduos que dele participam. As instituições são, portanto, conservadoras por essência, quer seja família, escola, governo, polícia ou qualquer outra, elas agem fazendo força contra as mudanças, pela manutenção da ordem.
Durkheim deixa bem claro na sua obra o quanto acredita que essas instituições são valorosas e parte em sua defesa, o que o deixou com uma certa reputação de conservador, que durante muitos anos causou antipatias. Mas Durkheim não pode ser meramente tachado de conservador, a sua defesa das instituições baseia-se num ponto fundamental, o ser humano necessita de se sentir seguro, protegido e apoiado. Uma sociedade sem regras claras, num conceito do próprio Durkheim, "em estado de anomia", sem valores, sem limites leva o ser humano ao desespero. Preocupado com esse desespero, Durkheim dedicou-se ao estudo da criminalidade, do suicídio e da religião. O homem que inovou construindo uma nova ciência inovava novamente preocupando-se com factores psicológicos, antes da existência da Psicologia. Os seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da obra de outro grande homem: Freud.
Basta uma rápida observação do contexto histórico do século XIX, para se perceber que as instituições sociais se encontravam enfraquecidas, havia muito questionamento, os valores tradicionais eram rompidos e novos surgiam, muita gente vivendo em condições miseráveis, desempregados, doentes e marginalizados. Ora, numa sociedade integrada essa gente não podia ser ignorada, porque de uma forma ou de outra, toda a sociedade sofreria as consequências. Aos problemas que observou, classificou como patologia social, e chamou aquela sociedade doente de "Anomia". A anomia era a grande inimiga da sociedade, algo que devia ser vencido, e a sociologia era o meio para isso. O papel do sociólogo seria, portanto, estudar, entender e ajudar a sociedade.
Na tentativa de "curar" a sociedade da anomia, Durkheim escreve "Da divisão do trabalho social", onde discorre sobre a necessidade de se estabelecer uma solidariedade orgânica entre os membros desta. A solução estaria em seguir o exemplo de um organismo biológico, onde cada órgão tem uma função e depende dos outros para sobreviver. Se cada membro exercer uma função específica na divisão do trabalho da sociedade, ele estará vinculado a ela através de um sistema de direitos e deveres, e também sentirá a necessidade de se manter coeso e solidário aos outros. O importante para Durkheim é que o indivíduo realmente se sinta parte de um todo, que realmente precise da sociedade de forma orgânica, interiorizada e não meramente mecânica.

UTOPIA


Utopia tem como significado o conceito de civilização ideal, podendo referir-se a uma cidade ou a um mundo imaginário no futuro ou no presente. A palavra utopia tem origem dos filósofos gregos radicais, “ou” não “tópos” lugar, “não-lugar” ou lugar não existente mas que pode existir e, também, do latim tardio utopia, que Thomas More decidiu escrever sobre um lugar novo e puro onde existiria uma sociedade perfeita ou país imaginário em que tudo está organizado de uma forma superior. O utopismo é um modo optimista de ver as coisas como gostaríamos que elas fossem. Muitos autores, como Arnhelm Neusüss (sociologia do conhecimento), têm defendido que as utopias modernas são essencialmente diferentes das suas predecessoras. Outros dizem que em rigor as utopias só se dão na modernidade e chamam cronotopias ou protoutopias às utopias anteriores à obra de More. Desde esta perspectiva, as utopias modernas estão orientadas para o futuro. Assim as utopias expressam uma rebelião frente ao dado existente na realidade e propõem uma transformação radical, que em muitos casos passa por processos revolucionários. O sociólogo Karl Mannheim considera utopia como um plano de mudança social; critica a definição de "sonho irrealizável", pois só podemos saber se um sonho é ou não irrealizável depois de ter sido vivido, posto à prova. As utopias têm derivações no pensamento político, como por exemplo nas correntes socialistas ligadas ao marxismo e ao anarquismo, literário e incluindo cinematográfico através da ciência e ficção social. Agostinho da Silva dizia que é necessário ver a ideia do futuro não como muita gente a vê, como uma coisa impossível de se realizar, mas sobretudo, como uma coisa possibilíssima de ser ultrapassada de tal maneira que nós nem pudéssemos entender.

SURREALISMO


O Surrealismo
foi um movimento artístico e literário surgido primeiramente em Paris nos anos 20, inserido no contexto das vanguardas que viriam a definir o modernismo no período entre as duas Grandes Guerras Mundiais. Reúne artistas anteriormente ligados ao Dadaísmo ganhando dimensão internacional. Fortemente influenciado pelas teorias psicanalíticas de Sigmund Freud (1856-1939), o surrealismo enfatiza o papel do inconsciente na actividade criativa. Um dos seus objectivos foi produzir uma arte que, segundo o movimento, estava sendo destruída pelo racionalismo. O poeta e crítico André Breton, francês da Baixa Normandia (1896-1966) é o principal líder e mentor deste movimento.
Mário Cesariny de Vasconcelos 
(Lisboa, 9 de Agosto de 1923 a 26 de Novembro de 2006) foi pintor e poeta, considerado o principal representante do surrealismo português. É de destacar também o seu trabalho de antologista, compilador e historiador (polémico) das actividades surrealistas em Portugal.


UTOPIA


Não quero... Não!
Não quero “ismos” nem “istas”,
Nem outras teorias idealistas...
Nem bandeiras ou cadeiras,
Nem tachos…nem panelas,
Nem cores, nem símbolos.
Não quero cor nenhuma…!
Nem branco nem preto…
Quero o arco-íris.

Não quero pensamentos teóricos,
Cáusticos, filosóficos ou Teológicos,
Perfeitos ou matemáticos,
Universais ou cabais.
Apenas quero ser livre.
Sem grades nas janelas.
Torres ou muros...  
Nem grilhetas ou sentinelas.

Quero ter ânimo…
Livre... Como tu, Liberdade!
Desobrigar-me de vez
Da teia que me prende.
Em selva de betão armado,
Oblíqua, preconcebida,
Com fronteiras de pedra…

Quero ser simples assim:
Apenas corcel solto, alado.
Viver amor, acompanhado...

Com esta lira que vos roço,
Desatento, sem dó…
Canto a utopia da liberdade!

Sem ser o que querem.
Quero ser como sou
Sem ser como era!

Conjecturo o Universo,
Distante… Vigiando,
Da janela do meu quarto,
Única fresta de raio de luz,
Que penetra no engano,
Vejo o Mar... E o Sol a cair,
No horizonte... E na noite,
Que se perpetua para sempre…
Para além do dia circundante.        
Eternamente quero-te Liberdade…

José Douradinha (Setembro 2010)

Montesquieu e o pensamento político.


O Espírito das Leis, o mais importante livro de Montesquieu publicado em 1748 quando o autor tinha cinquenta e nove anos, é produto de um pensamento elaborado na primeira metade do século XVIII, obra de um pensador, único na sua época, que considerava os problemas políticos em si mesmos, sem ideias pré-concebidas sobre o espírito e a natureza.
Para o pensamento ocidental, desde os sofistas gregos até aos filósofos de princípio do século XVIII, a diversidade das leis demonstrava a instabilidade da justiça humana, sendo que só no direito natural, comum a todas as sociedades, se podia encontrar a unidade original do direito. Mas para Montesquieu o problema não se colocava, já que para ele «a infinita diversidade de leis e costumes humanos não eram produto unicamente das suas fantasias».
O método de Montesquieu consistiu em examinar as leis positivas nas suas relações  entre si, mostrando que, pela sua própria natureza, determinadas leis tanto implicavam como excluíam outras. Havia, por isso, entre as leis positivas, relações naturais de exclusão e de inclusão, dirigidas não pela arbitrariedade de um homem ou de uma assembleia, mas pela necessidade das coisas.
É por isso que que a obra mais famosa de Montesquieu, ocupando-se unicamente das leis positivas, excluindo qualquer investigação sobre as leis naturais, começa pela célebre formulação - «As leis, no seu significado mais lato, são relações necessárias que derivam da natureza das coisas. Há uma razão primitiva, e as leis são as relações que se encontram entre os vários seres, e das relações destes seres entre si.» Estas afirmações estavam de acordo com a ideia da existência de leis universais comuns a toda a humanidade, defendidas pelos racionalistas, mas vão mais além já que em Montesquieu existe um encadeamento entre elas, que faz com que uma determinada forma de governo implique uma legislação específica; assim como a variedade geográfica, a moral, o comércio, a religião acabam por modificar as leis.
Mas, para Montesquieu a vida política de um país não é determinada por uma qualquer fatalidade, já que os homens são livres e «enquanto seres inteligentes violam constantemente as leis que Deus estabeleceu, modificando também as que eles próprios criaram.» Nessa base, as relações que se estabelecem entre os diferentes tipos de leis de uma sociedade, não são nem inexoráveis nem independentes da vontade humana; de facto Montesquieu nunca afirmou que um factor geográfico como o clima determinasse a constituição das sociedades, mesmo que muitos dos seus leitores o tenham concluído.
O objectivo de Montesquieu é descobrir modelos de sociedade que inspirem os legisladores. Sociedades que são muitas vezes apresentadas como instrumentos mecânicos - uma comparação típica do século XVIII - que foram criados e modificados pelo engenho humano e de acordo com relações de necessidade que foram sendo estabelecidas ao longo dos tempos. Modelos que, por terem um desenvolvimento temporal, podem ser analisados por meio da indução histórica, e também da dedução que ilumine o carácter natural e a conveniência dessas relações. 

"Quanto menos os homens pensam, mais eles falam."
Barão de Montesquieu

As Escolas Filosóficas

Não seria mau que se tornassem a mostrar as almas e que a filosofia deixasse de ser apenas uma disciplina ensinável para voltar a constituir um engrandecimento e uma razão de vida; correria talvez melhor o mundo se escolas de existência filosófica agissem como um fermento, fossem a guarda da pura ideia, dessem um exemplo de ascetismo, de tenacidade na calma recusa da boa posição, de alegria na pobreza, de sempre desperta actividade no ataque de todas as atitudes e doutrinas que significassem diminuição do espírito, ao mesmo tempo se recusando a exercer todo o domínio que não viesse da adesão. Velas incapazes de se deixarem arrastar por ventos de acaso, seguiriam sempre, indicariam aos outros o rumo ascensional da vida, não deixando que jamais se quebrasse o ténue fio que através de todos os labirintos a Humanidade tem seguido na sua marcha para Deus. Seriam poucos, sofreriam ataques dos próprios que simpatizassem com a atitude tomada, quase só encontrariam no caminho incompreensão e maldade; mas deles seria a vitória final; já hoje mesmo provocariam o respeito.

Agostinho da Silva, in 'Considerações'

POESIA DO PENSAMENTO


JÁ NÃO VIVI, SÓ PENSO
Já não vivo, só penso. E o pensamento
é uma teia confusa, complicada,
uma renda subtil feita de nada:
de nuvens, de crepúsculos, de vento.

Tudo é silêncio. O arco-íris é cinzento,
e eu cada vez mais vaga, mais alheada.
Percorro o céu e a terra aqui sentada,
sem uma voz, um olhar, um movimento.

Terei morrido já sem o saber?
Seria bom mas não, não pode ser,
ainda me sinto presa por mil laços,

ainda sinto na pele o sol e a lua,
ouço a chuva cair na minha rua,
e a vida ainda me aperta nos seus braços.

8/12/1900 – 19/12/94
Fernanda de Castro, in "E Eu, Saudosa, Saudosa"

GUERNICA



Guernica é um painel pintado por Pablo Picasso em 1937 por ocasião da Exposição Internacional de Paris. Foi exposto no pavilhão da República Espanhola. Medindo 350 por 782 cm, esta tela pintada a óleo é normalmente tratada como representativa do bombardeamento sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de Abril de 1937 por aviões alemães, apoiando o ditador Francisco Franco. Actualmente está no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, em Madrid...

FERNANDO PESSOA E SALAZAR


ISTO

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê! 



Como Fernando Pessoa via Salazar…
“António de Oliveira Salazar
Três nomes em sequência regular…
António é António.
Oliveira é uma árvore.
Salazar é só apelido.
Até aí está bem.
O que não faz sentido
É o sentido que tudo isto tem.
Este senhor Salazar
E feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A água dissolve o sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c’os diabos!
Parece que já choveu… “
Fernando Pessoa

NOTA: António de Oliveira Salazar foi Ministro das Finanças por breves meses em 1926. Depois disso, foi novamente ministro das Finanças entre 1928 e 1932; desde este ano foi Primeiro-Ministro até 1968; faleceu em 1970. Instituidor do Estado Novo  (1933-1974, desde 27/09/68 com o Prof. Marcelo Caetano). Fernando Pessoa faleceu a 30 de Novembro de 1935, em internamento hospitalar. Embora seja um poeta universalista, grande parte das suas poesias e escritos só foram do conhecimento público português e estudados nas escolas após 1974.  

A INDEPENDÊNCIA DO HOMEM


Mal podemos acreditar no filósofo a quem tudo deixa indiferente; não acreditamos na tranquilidade do estóico, não desejamos sequer a impavidez, porque a própria condição humana nos lança na paixão e no medo, e são as lágrimas e o júbilo que nos permitem conhecer o que é. Eis por que somente o impulso ascendente nos liberta das perturbações anímicas e não é pela supressão que nos encontramos.

Temos, pois, que nos arriscar a ser homens e, enquanto homens, fazermos o que pudermos para alcançar a independência conquistada. Sofreremos então sem queixume, desesperar-nos-emos sem nos afundarmos, abalados mas nunca completamente derrubados quando suspensos à íntima independência que em nós se gera.
A filosofia, porém, é a escola dessa independência, não a sua posse. 

Karl Jaspers, in 'Iniciação Filosófica'

Karl Theodor Jaspers, (Oldenburg, 23/02/1883 - Basileia, 26/02/1969)
Estudou medicina e, depois de trabalhar no hospital psiquiátrico da Universidade de Heidelberg (Alemanha), tornou-se professor de psicologia da Faculdade de Letras dessa instituição. Desligado de seu cargo pelo regime nazi em 1937, foi readmitido em 1945 e, três anos depois, passou a leccionar filosofia na Universidade de Basileia (Suiça).

POESIA DE CARLOS OLIVEIRA


OLEO DE MÁRIO DIONISIO

Bolor
Os versos
que te digam
a pobreza que somos,
o bolor nas paredes
deste quarto deserto,
o orvalho da amargura
na flor
de cada sonho
e o leito desmanchado
o peito aberto
a que chamaste
amor.
Carlos de Oliveira, in “Poesias”
 

PALHAÇO QUE CHORA


"Mas que espécie vens tu a ser?, perguntou Leo.
Sou um palhaço, respondi eu, e colecciono instantes. Adeus."
Heinrich Böll


"Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando, falei muitas vezes como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da plateia que sorria.

Eu continuo sendo apenas um palhaço, o que já me coloca em nível bem mais alto do que o de qualquer político."
Charles Chaplin